Lágrimas escorrem-me cara abaixo.
Fogem dos meus olhos, indiferentes ao que as motiva.
Sinto o sal do seu tacto,
Em cada uma que se desfaz nos meus lábios.
Hesitantes, recesosas, deslizam cuidadosamente pela minha face.

Num gesto automatizado, limpo as lágrimas do rosto.
Com um suspiro, enxugo o vermelho dos olhos.
A humidade e a dor evaporam-se, absorvidas pela pele.

Não há lágrimas puras, ou se as há, são raras.
Formadas por pequenas moléculas de ódio, despeito, inveja e ciúme.
Adulteradas pela nossa vivência, recheadas de incoerência.
Numa hipócrisia que selecciona as gotas que legitimam a nossa dor.
Por vezes, numa prática egocêntrica de solidariedade com os outros;
Noutras, num egoísmo social de solidariedade com nós próprios.

Talvez hajam lágrimas puras, mas é mais fácil dizer que não

Ainda há uma réstia de sonho para iludir a realidade.


Lyrics submitted by Sukur_

Precipitação song meanings
Add your thoughts

No Comments

sort form View by:
  • No Comments

Add your thoughts

Log in now to tell us what you think this song means.

Don’t have an account? Create an account with SongMeanings to post comments, submit lyrics, and more. It’s super easy, we promise!

Back to top
explain